Com a permissão dele, sinta-se a vontade de refletir, debatir e compartilhar o depoimento:
>"Olá a todos,
A mensagem enviada pela CAPES [link embaixo] indica que temos um problema grave, envolvendo muitos casos de desistência de cursos por motivo de saúde, e que devem estar ocorrendo em muitos programas de pós-graduação por todo o país.
Embora a nota não esclareça, aposto que grande parte (senão a maioria) desses casos se refere a afastamentos por motivo de depressão, ou outros distúrbios psicológicos. Digo isso por experiência própria e como resultado de papos informais com professores e coordenadores de diversos cursos de pós-graduação no país.
A nota da CAPES me faz pensar que a instituição está percebendo os sintomas, mas não está indo às raízes do problema. Ao exigir o parecer de uma junta médica, a CAPES lança uma sombra de dúvida sobre a veracidade das enfermidades alegadas pelos alunos ao solicitarem o seu desligamento dos PPGs. Ou seja, fica no ar uma suspeita de que muitos desses casos não envolvam de fato impedimentos por motivos de saúde, mas talvez uma forma de usufruir dos benefícios de uma bolsa de estudos sem apresentar o produto prometido (uma dissertação ou tese) no contrato de bolsa.
Embora seja louvável a preocupação com os recursos públicos envolvidos no financiamento de bolsas de estudo no país, considero um erro lamentável focar apenas nessa questão e esquecer de analisar as possíveis origens dos problemas que têm levado ao aumento (muito grande, imagino) dos casos de afastamento por motivos de saúde. Se isso tem ocorrido num meio onde as pessoas são, via de regra, cultas, bem informadas, com acesso a uma boa alimentação e, de forma geral, têm uma boa qualidade de vida, é porque deve haver uma causa específica (e grave) para os afastamentos.
Na minha modesta opinião, acredito que boa parte desses afastamentos têm acontecido por excesso de pressão psicológica, na forma de cobrança exagerada por uma produtividade elevada (e de alta qualidade) aos alunos. Nessa etapa da vida acadêmica os estudantes ainda estão em uma fase de formação, buscando a excelência profissional e um posto de trabalho em um ambiente altamente competitivo. A atual situação econômica do país contribui para gerar mais incertezas quanto ao futuro desses profissionais, pois o nível de desemprego no Brasil assusta a todos. Parece óbvio que essa mistura de pressões internas (dos PPG) e externas (geradas pela atual conjuntura socioeconômica do país) acaba gerando os distúrbios de saúde que temos presenciado, e que a CAPES também detectou (mas viu apenas os sintomas, e não a doença).
Precisamos tratar com mais cuidado e carinho dos nossos estudantes, sob o risco de perdermos grandes talentos em decorrência da nossa incapacidade de dosar adequadamente o estímulo à produção acadêmica desejada pela CAPES e pelos PPGs. Acho que deveríamos focar muito mais no processo de formação acadêmica do que na produtividade instantânea. Sendo muito sincero, acho que estamos cobrando de nossos alunos muito mais do que nós mesmos seríamos capazes de fazer em um momento semelhante de nossas vidas profissionais. Precisamos repensar essa estratégia com urgência, de forma que a saúde dos estudantes seja preservada. Queremos produzir profissionais de alta qualidade, que finalizem seus trabalhos de pós-graduação com o brilho nos olhos de quem não vê a hora de mergulhar fundo na Ciência.
Abraços,
Jansen"<
Link do parecer:
http://www.ita.br/noticias79
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